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BETs entram na mira e podem mudar o jogo no futebol brasileiro: patrocínios bilionários viram alvo de polêmica

há 3 horas
3 min de leitura

Com marcas de apostas ocupando espaços de destaque nas camisas dos principais clubes, o setor passou a enfrentar questionamentos sobre seus impactos no esporte e nas famílias. Agora, uma medida provisória do governo federal coloca em xeque um mercado que movimenta cifras bilionárias.


Durante os últimos anos, as empresas de apostas esportivas, popularmente conhecidas como BETs, conquistaram um espaço de destaque no futebol brasileiro. O que antes era uma presença discreta na publicidade esportiva se transformou em um dos principais segmentos de patrocínio dos clubes, estampando camisas, placas de publicidade, estádios e campanhas envolvendo grandes nomes do esporte.


Mas a relação entre futebol e apostas entrou em uma nova fase de turbulência. O crescimento do setor passou a dividir opiniões entre dirigentes, torcedores, especialistas e autoridades, principalmente diante das preocupações com o endividamento das famílias, a exposição dos torcedores e os riscos à integridade das competições.

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Um negócio que conquistou o futebol

O tamanho dessa presença impressiona. Em 2026, 14 dos 20 clubes da Série A tinham empresas de apostas como patrocinadoras máster, segundo levantamento divulgado pela imprensa com dados da Sports Value.


Em 2025, os clubes da primeira divisão receberam aproximadamente R$ 1,03 bilhão em patrocínios provenientes desse segmento. Valores que ajudam a explicar por que tantas equipes passaram a enxergar as empresas do setor como parceiras estratégicas para reforçar seus orçamentos, investir em contratações e manter a competitividade.

O problema é que essa dependência financeira também trouxe uma discussão importante: até que ponto o futebol deve depender de um segmento tão controverso para financiar suas atividades?


A opinião dos brasileiros também pesa

Uma pesquisa divulgada em julho de 2026 pelo UOL, realizada em parceria com More in Common e Ipsos-Ipec, revelou uma forte resistência da população à presença das apostas no futebol.


Segundo o levantamento, 68% dos entrevistados concordaram que os patrocínios das BETs deveriam ser proibidos por considerar que as apostas prejudicam torcedores e famílias. Além disso, 58% acreditam que a presença dessas empresas aumenta significativamente o risco de manipulação de partidas.

Os números mostram que a discussão deixou de ser apenas uma questão comercial e passou a envolver a confiança do público no próprio esporte.


Governo coloca o setor diante de uma mudança histórica

A polêmica ganhou uma dimensão ainda maior em setembro de 2026, quando o governo federal publicou a Medida Provisória nº 1.394/2026.

A medida proibiu, em todo o território nacional, a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa, incluindo as apostas esportivas e os jogos on-line.

Na prática, a decisão atinge diretamente o modelo de negócios que aproximou as empresas de apostas dos clubes de futebol, uma vez que também alcança a publicidade e os patrocínios ligados à atividade.


A medida já está em vigor, mas ainda depende de análise do Congresso Nacional. O prazo de deliberação vai até 23 de novembro de 2026, e o texto poderá sofrer alterações durante a tramitação.


E como ficam os clubes?

Se a proibição for mantida, o futebol brasileiro terá pela frente um desafio financeiro e comercial: encontrar novos parceiros para ocupar espaços que se tornaram extremamente valiosos nos últimos anos.


A mudança pode afetar não apenas os contratos estampados nas camisas, mas também acordos de publicidade, propriedades comerciais e outras receitas relacionadas ao setor.

Para os clubes, a questão é encontrar alternativas sem comprometer seus planejamentos financeiros. Para os torcedores, fica uma discussão que vai além das quatro linhas: qual deve ser o limite entre o dinheiro que movimenta o futebol e a responsabilidade com o público que acompanha o espetáculo?


Uma coisa é certa: a relação entre as BETs e o futebol brasileiro está longe de ser um assunto encerrado. E os próximos capítulos dessa história prometem movimentar tanto os bastidores do esporte quanto o cenário político e econômico do país.

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