São Paulo Fashion Week: marcas brasileiras apostam no autoral.
Marcas como Sou de Algodão e Santa Resistência despertaram memórias e sentimentos na plateia.
A 61ª edição da São Paulo Fashion Week terminou. Pude conferir alguns desfiles e bastidores de perto e saio com a impressão de que estamos no caminho certo. A moda brasileira tem apostado cada vez mais no autoral e mostrado um trabalho que não é só roupa, mas traz junto história, legado e sentimento.
A São Paulo Fashion Week é importante não só pelo tamanho (é o maior evento de moda da América Latina), mas também por trazer marcas do Brasil inteiro. Marcas baianas, paraenses e mineiras entregam o que têm de melhor das suas regiões, o que deixa os desfiles ainda mais amplos, interessantes e diferentes entre si.
A Sou de Algodão + Ronaldo Fraga desfilou uma coleção inspirada no tecido de algodão e em cartas escritas à mão. Tudo 100% desenvolvido em algodão, em homenagem à Sou de Algodão, que completa 10 anos. Golas amplas, mangas, trabalhos manuais como crochê e cartas pregadas nas peças com bordados feitos à mão emocionaram quem estava presente.

Já Lilly Sarti apresentou um desfile voltado para a mulher elegante e contemporânea. O desfile começou com um piano no meio da passarela e uma bela apresentação do pianista Pablo Rossi. Com inspiração no ano da cabra do calendário chinês, 2027, um ano yin, a coleção fala do encontro entre força e romantismo. E gente, isso aparece em tudo: o jacquard tem desenhos que lembram as ranhuras dos chifres da cabra, e as listras e o xadrez trazem o lado masculino, o yang, em contraste com a leveza do georgette, do tule e do cetim. Aquela coleção que dá para usar do trabalho a eventos especiais.
E a Santa Resistência, de Mônica Sampaio, desfilou uma coleção inspirada no musical Otelo da Mangueira, de 2006. A peça foi idealizada e dirigida pelo dramaturgo Gustavo Gasparani. Na obra, a tragédia de William Shakespeare é transferida para o morro carioca na década de 1940.
O mais legal é que, nessa coleção, Mônica traz uma Mangueira nada óbvia. Mesmo com a coleção praticamente toda em verde e rosa, as cores aparecem em outras nuances, texturas e novas formas de usar, diferentes do que já conhecemos. Muito crochê, bordado casa de abelha, tudo tipicamente brasileiro. E para encerrar, entra a bateria da Mangueira, com mestre-sala e porta-bandeira, levando a plateia à emoção. Mais brasileiro que isso, impossível.





Comentários